Sangue, descoberta recente de Benjamim!
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26 de outubro de 2015
20 de maio de 2015
19 de março de 2015
Eterno
Quero que gostes de Pina Baush, ou até já nem gostes,
queiras mais queiras diferente;
que gostes da cor e do risco forte de Miró
e do canto desiludido e fundo de Ferré;
quero que aprecies os cheiros sensíveis da eternidade
do grande bruto grande e do pequeno sensível e pequeno;
quero que mores nas páginas da Photo e embora sendo um modelo de virtudes
representes contudo
a cortesã mais lassa para mim;
quero-te com mãos de pedra e de veludo;
quero que ames o chique e a Serra d´Aire
- mais o safari que a recepção,
quero que mores e sofras nas páginas de Guido Crepax
e que te irrites com a perfeição absoluta
a perfeição absoluta de um retrato de Medina
quero que, se possível vivas dentro do anúncio do Martini
isso, felina e ondulante
lá longe, felina e ondulante numa ilha tropical
quero que sejas capaz de divertir-te, de soltar uma ampla gargalhada,
ante o espectáculo ridículo e obsceno do que seria um homem de Quinhentos
a quem atribuíssem um número de contribuinte
quero que ames o longe e a miragem, como o Régio
e que sejas louca e sábia
e que tenhas lábios e mordas,
língua e sorvas, sexo e sexes, salto e saltes, riso e rias,
sorvedouro inteiro de vida, arrepio de garça, sacudir de cisne,
passos de corsa, graça de arlequim,
pose de Diva, corpo de areia e luz.
E quero que me dês muito, que me dês tudo,
e que abras as janelas de par em par ao Tejo
e fecundes um poema em cada gesto
e voes como a gaivota em cada espreguiçar
e partas para a Índia em cada cacilheiro
e que sejas, mores, vivas e creias
longe
muito longe daqui...
Quero que sejas profundamente minha e ritual
obsessiva e lúcida, doente, febril, tremente de desejo
disposta a tudo e a mais, muito mais,
boca de Mundo, seios de Mármore, corpo de Alfazema
e sobretudo Mulher e sobretudo amante.
Se existires assim, nua, inteira, absoluta e pessoal
responde-me
que eu fico aqui, eu fico aqui
eterno, à tua espera
26 de novembro de 2014
O Sol
Como é que diz aí a malta jovem? Em repeat.
O Sol preguntou à Lua, o Sol “preguntou” à Lua
Quando a, quando a via amanhecer:
O Sol preguntou à Lua quando a via amanhecer
À vista dos olhos teus, à vista dos olhos teus
Que vem, que vem o sol cá fazer
À vista dos olhos teus
Que vem o sol cá fazer
O Sol anda que desanda, o Sol anda que desanda
No mais, no mais alto se vai pôr
O Sol anda que desanda, no mais alto se vai por
Só eu não ando nem desando, só eu não ando nem desando
Sou-te, sou-te firme meu amor
Só eu não ando nem desando
Eu sou-te firme ó meu amor
Ó Sol meu querido Sol, ó Sol meu querido Sol
Se o mundo, se o mundo em ti se encerra
Ó Sol meu querido Sol, se o mundo em ti se encerra
Leva-me nesses teus raios, leva-me nesses teus raios
À minha, à minha querida terra
Leva-me nesses teus raios
À minha querida terra
Ó sol
O Sol preguntou à Lua, o Sol “preguntou” à Lua
Quando a, quando a via amanhecer:
O Sol preguntou à Lua quando a via amanhecer
À vista dos olhos teus, à vista dos olhos teus
Que vem, que vem o sol cá fazer
À vista dos olhos teus
Que vem o sol cá fazer
O Sol anda que desanda, o Sol anda que desanda
No mais, no mais alto se vai pôr
O Sol anda que desanda, no mais alto se vai por
Só eu não ando nem desando, só eu não ando nem desando
Sou-te, sou-te firme meu amor
Só eu não ando nem desando
Eu sou-te firme ó meu amor
Ó Sol meu querido Sol, ó Sol meu querido Sol
Se o mundo, se o mundo em ti se encerra
Ó Sol meu querido Sol, se o mundo em ti se encerra
Leva-me nesses teus raios, leva-me nesses teus raios
À minha, à minha querida terra
Leva-me nesses teus raios
À minha querida terra
Ó sol
21 de novembro de 2014
Gracias a la vida que me ha dado tanto
O original...
...e a belíssima cópia original do original a partir da qual cheguei à primeira!
Gracias a la vida que me ha dado tanto.
Me dio dos luceros que, cuando los abro,
Perfecto distingo lo negro del blanco,
Y en el alto cielo su fondo estrellado
Y en las multitudes el hombre que yo amo.
Gracias a la vida que me ha dado tanto.
Me ha dado el oído que, en todo su ancho,
Graba noche y día grillos y canarios;
Martillos, turbinas, ladridos, chubascos,
Y la voz tan tierna de mi bien amado.
Gracias a la vida que me ha dado tanto.
Me ha dado el sonido y el abecedario,
Con él las palabras que pienso y declaro:
Madre, amigo, hermano, y luz alumbrando
La ruta del alma del que estoy amando.
Gracias a la vida que me ha dado tanto.
Me ha dado la marcha de mis pies cansados;
Con ellos anduve ciudades y charcos,
Playas y desiertos, montañas y llanos,
Y la casa tuya, tu calle y tu patio.
Gracias a la vida que me ha dado tanto.
Me dio el corazón que agita su marco
Cuando miro el fruto del cerebro humano;
Cuando miro el bueno tan lejos del malo,
Cuando miro el fondo de tus ojos claros.
Gracias a la vida que me ha dado tanto.
Me ha dado la risa y me ha dado el llanto.
Así yo distingo dicha de quebranto,
Los dos materiales que forman mi canto,
Y el canto de ustedes que es el mismo canto
Y el canto de todos, que es mi propio canto.
Gracias a la vida que me ha dado tanto.
...e a belíssima cópia original do original a partir da qual cheguei à primeira!
Gracias a la vida que me ha dado tanto.
Me dio dos luceros que, cuando los abro,
Perfecto distingo lo negro del blanco,
Y en el alto cielo su fondo estrellado
Y en las multitudes el hombre que yo amo.
Gracias a la vida que me ha dado tanto.
Me ha dado el oído que, en todo su ancho,
Graba noche y día grillos y canarios;
Martillos, turbinas, ladridos, chubascos,
Y la voz tan tierna de mi bien amado.
Gracias a la vida que me ha dado tanto.
Me ha dado el sonido y el abecedario,
Con él las palabras que pienso y declaro:
Madre, amigo, hermano, y luz alumbrando
La ruta del alma del que estoy amando.
Gracias a la vida que me ha dado tanto.
Me ha dado la marcha de mis pies cansados;
Con ellos anduve ciudades y charcos,
Playas y desiertos, montañas y llanos,
Y la casa tuya, tu calle y tu patio.
Gracias a la vida que me ha dado tanto.
Me dio el corazón que agita su marco
Cuando miro el fruto del cerebro humano;
Cuando miro el bueno tan lejos del malo,
Cuando miro el fondo de tus ojos claros.
Gracias a la vida que me ha dado tanto.
Me ha dado la risa y me ha dado el llanto.
Así yo distingo dicha de quebranto,
Los dos materiales que forman mi canto,
Y el canto de ustedes que es el mismo canto
Y el canto de todos, que es mi propio canto.
Gracias a la vida que me ha dado tanto.
3 de outubro de 2014
Já o tempo...
...se habitua. Inté dá para dançar!
Já o tempo Se habitua A estar alerta
Nao há luz Que nao resista A noite cega
Já a rosa Perde o cheiro E a cor vermelha
Cai a flor Da laranjeira A cova incerta
Agua mole Agua bendita Fresca serra
Lava a língua Lava a lama Lava a guerra
Já o tempo Se acostuma A cova funda
Já tem cama E sepultura Toda a terra
Nem o voo Do milhano Ao vento leste
Nem a rota Da gaivota Ao vento norte
Nem toda A força do pano Todo o ano
Quebra a proa Do mais forte Nem a morte
Já o mundo Se nao lembra De cantigas
Tanta areia Suja tanta Erva daninha
A nenhuma Porta aberta Chega a lua
Cai a flor Da laranjeira A cova incerta
Nem o voo Do milhano Ao vento leste
Nem a rota da gaivota ao vento norte
Nem toda a força do pano todo o ano
Quebra a proa do mais forte nem a morte
Entre as vilas E as muralhas Da moirama
Sobre a espiga E sobre a palha Que derrama
Sobre as ondas Sobre a praia Já o tempo
Perde a fala E perde o riso Perde o amor
Já o tempo Se habitua A estar alerta
Nao há luz Que nao resista A noite cega
Já a rosa Perde o cheiro E a cor vermelha
Cai a flor Da laranjeira A cova incerta
Agua mole Agua bendita Fresca serra
Lava a língua Lava a lama Lava a guerra
Já o tempo Se acostuma A cova funda
Já tem cama E sepultura Toda a terra
Nem o voo Do milhano Ao vento leste
Nem a rota Da gaivota Ao vento norte
Nem toda A força do pano Todo o ano
Quebra a proa Do mais forte Nem a morte
Já o mundo Se nao lembra De cantigas
Tanta areia Suja tanta Erva daninha
A nenhuma Porta aberta Chega a lua
Cai a flor Da laranjeira A cova incerta
Nem o voo Do milhano Ao vento leste
Nem a rota da gaivota ao vento norte
Nem toda a força do pano todo o ano
Quebra a proa do mais forte nem a morte
Entre as vilas E as muralhas Da moirama
Sobre a espiga E sobre a palha Que derrama
Sobre as ondas Sobre a praia Já o tempo
Perde a fala E perde o riso Perde o amor
1 de outubro de 2014
Cantiga de amigo/amante
Cantiga de amigo
A Lulu quer o que quer qualquer mulher
Que o amigo a abrace bem
E que a faça rir também.
A Lulu tem um medo mas guarda-se em segredo
O amigo vai esperar que ela queira pô-lo a par.
E se a conversa fica em perigo
ele ri-se um pouco e triunfante
Diz-lhe "É bom ser teu amigo
mas igualmente bom ser teu amante".
A Lulu não traz más recordações
E o amigo atrás diverte-a com canções
Ela dá-lhe a mão e dá-lhe um pouco do coração
Ele faz de tudo para compreender
Depois de tudo para lhe agradecer
E se a conversa os põe em perigo
ele ri-se muito e gaguejante
Diz-lhe "É bom ser teu amigo
mas igualmente bom ser teu amante".
A Lulu quer o que quer qualquer mulher
Que o amigo a abrace bem
E que a faça rir também.
A Lulu tem um medo mas guarda-se em segredo
O amigo vai esperar que ela queira pô-lo a par.
E se a conversa fica em perigo
ele ri-se um pouco e triunfante
Diz-lhe "É bom ser teu amigo
mas igualmente bom ser teu amante".
A Lulu não traz más recordações
E o amigo atrás diverte-a com canções
Ela dá-lhe a mão e dá-lhe um pouco do coração
Ele faz de tudo para compreender
Depois de tudo para lhe agradecer
E se a conversa os põe em perigo
ele ri-se muito e gaguejante
Diz-lhe "É bom ser teu amigo
mas igualmente bom ser teu amante".
8 de setembro de 2014
7 de agosto de 2014
Não canto porque sonho
Há gente que vive uma vida inteira sem se deparar com esta maravilha, elegante e delicada:
Eu esperei quarenta anos! E foi por este intermédio:
(Gosto mais da primeira. Ainda ouvi aquilo que penso ser o original, do álbum "Atrás dos tempos vêm tempos", cantada apenas pelo Fausto e com o poema de Eugénio de Andrade, sem a inclusão das duas frases a bold, e também a versão cantada no espectáculo "Três Cantos", com Fausto, José Mário Branco e Sérgio Godinho. Também muito bonita, esta última, mas não consegui encontrá-la no youtube. Desta e desta não gostei lá muito...)
Não canto porque sonho.
Canto porque és real.
Canto o teu olhar maduro,
teu sorriso puro,
a tua graça animal.
Canto porque sou homem
Canto porque és real
Se não cantasse seria
mesmo bicho sadio
embriagado na alegria
da tua vinha sem vinho.
Canto porque o amor apetece
Porque o meu corpo estremece
Porque o feno amadurece
nos teus braços deslumbrados.
Porque o meu corpo estremece
por vê-los nus e suados.
Eu esperei quarenta anos! E foi por este intermédio:
(Gosto mais da primeira. Ainda ouvi aquilo que penso ser o original, do álbum "Atrás dos tempos vêm tempos", cantada apenas pelo Fausto e com o poema de Eugénio de Andrade, sem a inclusão das duas frases a bold, e também a versão cantada no espectáculo "Três Cantos", com Fausto, José Mário Branco e Sérgio Godinho. Também muito bonita, esta última, mas não consegui encontrá-la no youtube. Desta e desta não gostei lá muito...)
Não canto porque sonho.
Canto porque és real.
Canto o teu olhar maduro,
teu sorriso puro,
a tua graça animal.
Canto porque sou homem
Canto porque és real
Se não cantasse seria
mesmo bicho sadio
embriagado na alegria
da tua vinha sem vinho.
Canto porque o amor apetece
Porque o meu corpo estremece
Porque o feno amadurece
nos teus braços deslumbrados.
Porque o meu corpo estremece
por vê-los nus e suados.
4 de julho de 2014
Sol de março
Ouvi hoje pela primeira vez. Adoro!
O que não está bem, está mal, pois bem
Se eu quiser ser o bem, do mal, de alguém
Talvez o que eu seja queira andar
Talvez o que eu queira seja amar
Talvez o meu nome seja teu
Talvez em teu nome seja o meu
E no fim do dia quem quiser
Há-de se inventar depois da dor
E no fim do dia quem se der
Há-de ser melhor
Se eu quiser ser o bem, do mal, de alguém
Talvez o que eu seja queira andar
Talvez o que eu queira seja amar
Talvez o meu nome seja teu
Talvez em teu nome seja o meu
E no fim do dia quem quiser
Há-de se inventar depois da dor
E no fim do dia quem se der
Há-de ser melhor
Quando não sou livre quero ser
Tudo o que está dentro da razão
Quando não estou vivo quero ter
O que não faz parte da canção
Talvez o que eu seja vá mudar
Tudo o que não seja em mim perdão
Mas o que este dia vem dizer
Tudo o que esta luta quer mostrar
Que no fim do dia quem se der
Há de querer ficar
Tudo o que está dentro da razão
Quando não estou vivo quero ter
O que não faz parte da canção
Talvez o que eu seja vá mudar
Tudo o que não seja em mim perdão
Mas o que este dia vem dizer
Tudo o que esta luta quer mostrar
Que no fim do dia quem se der
Há de querer ficar
Por tudo o que eu não soube ser
Dou-te o sangue do meu corpo vão
E por tudo o que eu não quis perder
Entre a raiva do meu coração
Entre o sol de março a bater
E a curva da desilusão
Entre a casa quente do amor
E o jogo ardente da paixao
E por tudo o que eu não sei dizer
Perdão, perdão
Dou-te o sangue do meu corpo vão
E por tudo o que eu não quis perder
Entre a raiva do meu coração
Entre o sol de março a bater
E a curva da desilusão
Entre a casa quente do amor
E o jogo ardente da paixao
E por tudo o que eu não sei dizer
Perdão, perdão
3 de julho de 2014
26 de junho de 2014
O Romance
Alembrei-me, derepentemente, desta música. Cá vai uma autêntica aula de história sobre o grande general
chamado "o Galego", o homem dos olhares fatais. Lembro-me que Peregrinação (contada às crianças e relembrada aos adultos) era um dos meus livros preferidos, assim como Os Lusíadas, da mesma colecção. Pergunto-me porque não usam os professores de história estas coisas giras e interessantes para ensinar, de forma gira e interessante, as coisas às criancinhas. Por Fausto, claro, um dos meus autores preferidos.
E a letra, senhores, a letra:
Diogo Soares
O grande general
Chamado "o Galego"
O homem dos olhares fatais
Comanda sessenta mil homens
De terras estranhas
Vencendo e lutando
Por quem paga mais
Eficaz nos sermões
Insinuante pois
Ganhou a simpatia
De príncipes e samurais
Já é governador
Do reino de Pegu
Mais forte do que o rei
Mais rico por golpes mestrais
Naquela cidade
Vivia um mercador
De nome Mambogoá
De fortuna sem fim
E naquele dia
O dia das bodas
Casava uma filha
Com Manica Mandarim
Diogo Soares passou por ali
Ao saber da festa
Felicitou noivos e pais
E a noiva tão linda
Ofereceu-lhe um anel
Agradecendo a honra
Por gestos puros e sensuais
Então o galego
Em vez de guardar
O devido decoro
Prendeu-a e disse-lhe assim:
"Ó moça formosa
És minha, só minha
A ninguém pertences
A ninguém, senão a mim"
O pai Mambogoá
Ao ver pegar o bruto
Tão rijo na filha
Ouvindo este insulto de espanto
Levantou as mãos aos céus
Os joelhos em terra
No retrato da dor
Pedindo e implorando num pranto
"Eu peço-te Senhor
Por reverência a Deus
Que adoras concebido
No ventre sem mancha e pecado
Não tomes minha filha
Não leves meu tesouro
Que eu morro de paixão
Que eu morro tão abandonado"
Mas Diogo Soares
Mandou matar o noivo
Que chorava abraçado
À moça assustada
Tremendo
E a noiva estrangulou-se
Numa fita de seda
Antes que a possuísse
À força o sensual galego
A terra e os ares
Tremeram com os gritos
Do choro das mulheres
Tamanhos que metiam medo
E o pai Mambogoá
Pedindo pelas ruas
Justiça ao assassino
Acorda a cidade em sossego:
"Ó gentes Ó gentes
Saí como raios
Na ira das chuvas
Na ventania do açoite
E o fogo consuma
Seus últimos dias
E lhe despedace
As carnes no meio da noite"
Em menos de um credo
Numa grande grita
P'lo amor dos aflitos
Juntou-se ao velho o povo inteiro
Com tamanho furor
E sede de vingança
Arrastaram-no preso
Diogo Soares ao terreiro
E o povo a clamar
Que a sua veia seja
Tão vazia de sangue
De quanto está o inferno cheio
E subiu ao cadafalso
Cada degrau beijou
Murmurando baixinho
O nome de Jesus a meio
Seu filho Baltasar Soares
Que vinha de casa
O qual vendo assim
Levar seu pai
Lançou-se aos seus pés a chorar
E por largo tempo abraçados
No abraço dos mortais
"Senhor porque vos levam
Cruéis e vingativos
Senhor porque vos batem
E porque vos matam medonhos?"
"Pergunta-o aos meus pecados
Que eles to dirão
Que eu vou já de maneira
Que tudo me parece um sonho"
E foram tantas pedras
Sobre o padacente
Que este morreu bramindo
O rosário dos seus pecados
Ensopado na baba
Do ódio dos homens
Escuma animal
De todos os cães esfaimados
As crianças e os moços
Trouxeram seu corpo
Sem vida pelas ruas
Arrastado pela garganta
E a gente dava esmola
Oferecida aos meninos
Dava como se fosse
Uma obra muito pia e santa
Assim terminam os anais
Do grande general
Chamado "o Galego"
O homem dos olhares fatais.
chamado "o Galego", o homem dos olhares fatais. Lembro-me que Peregrinação (contada às crianças e relembrada aos adultos) era um dos meus livros preferidos, assim como Os Lusíadas, da mesma colecção. Pergunto-me porque não usam os professores de história estas coisas giras e interessantes para ensinar, de forma gira e interessante, as coisas às criancinhas. Por Fausto, claro, um dos meus autores preferidos.
E a letra, senhores, a letra:
Diogo Soares
O grande general
Chamado "o Galego"
O homem dos olhares fatais
Comanda sessenta mil homens
De terras estranhas
Vencendo e lutando
Por quem paga mais
Eficaz nos sermões
Insinuante pois
Ganhou a simpatia
De príncipes e samurais
Já é governador
Do reino de Pegu
Mais forte do que o rei
Mais rico por golpes mestrais
Naquela cidade
Vivia um mercador
De nome Mambogoá
De fortuna sem fim
E naquele dia
O dia das bodas
Casava uma filha
Com Manica Mandarim
Diogo Soares passou por ali
Ao saber da festa
Felicitou noivos e pais
E a noiva tão linda
Ofereceu-lhe um anel
Agradecendo a honra
Por gestos puros e sensuais
Então o galego
Em vez de guardar
O devido decoro
Prendeu-a e disse-lhe assim:
"Ó moça formosa
És minha, só minha
A ninguém pertences
A ninguém, senão a mim"
O pai Mambogoá
Ao ver pegar o bruto
Tão rijo na filha
Ouvindo este insulto de espanto
Levantou as mãos aos céus
Os joelhos em terra
No retrato da dor
Pedindo e implorando num pranto
"Eu peço-te Senhor
Por reverência a Deus
Que adoras concebido
No ventre sem mancha e pecado
Não tomes minha filha
Não leves meu tesouro
Que eu morro de paixão
Que eu morro tão abandonado"
Mas Diogo Soares
Mandou matar o noivo
Que chorava abraçado
À moça assustada
Tremendo
E a noiva estrangulou-se
Numa fita de seda
Antes que a possuísse
À força o sensual galego
A terra e os ares
Tremeram com os gritos
Do choro das mulheres
Tamanhos que metiam medo
E o pai Mambogoá
Pedindo pelas ruas
Justiça ao assassino
Acorda a cidade em sossego:
"Ó gentes Ó gentes
Saí como raios
Na ira das chuvas
Na ventania do açoite
E o fogo consuma
Seus últimos dias
E lhe despedace
As carnes no meio da noite"
Em menos de um credo
Numa grande grita
P'lo amor dos aflitos
Juntou-se ao velho o povo inteiro
Com tamanho furor
E sede de vingança
Arrastaram-no preso
Diogo Soares ao terreiro
E o povo a clamar
Que a sua veia seja
Tão vazia de sangue
De quanto está o inferno cheio
E subiu ao cadafalso
Cada degrau beijou
Murmurando baixinho
O nome de Jesus a meio
Seu filho Baltasar Soares
Que vinha de casa
O qual vendo assim
Levar seu pai
Lançou-se aos seus pés a chorar
E por largo tempo abraçados
No abraço dos mortais
"Senhor porque vos levam
Cruéis e vingativos
Senhor porque vos batem
E porque vos matam medonhos?"
"Pergunta-o aos meus pecados
Que eles to dirão
Que eu vou já de maneira
Que tudo me parece um sonho"
E foram tantas pedras
Sobre o padacente
Que este morreu bramindo
O rosário dos seus pecados
Ensopado na baba
Do ódio dos homens
Escuma animal
De todos os cães esfaimados
As crianças e os moços
Trouxeram seu corpo
Sem vida pelas ruas
Arrastado pela garganta
E a gente dava esmola
Oferecida aos meninos
Dava como se fosse
Uma obra muito pia e santa
Assim terminam os anais
Do grande general
Chamado "o Galego"
O homem dos olhares fatais.
23 de maio de 2014
Marisa Monte - Ilusão
Que bonitinha, esta música...
Esta versão também é muito bonita. Prefiro-a, aliás:
Uma vez eu tive uma ilusão
E não soube o que fazer
Não soube o que fazer
Com ela
Não soube o que fazer
E ela se foi
Porque eu a deixei
Por que eu a deixei?
Não sei
Eu só sei que ela se foi
Mi corazón desde entonces
La llora diario
No portão
Por ella
No supe que hacer
Y se me fue
Porque la dejé
¿Por que la dejé?
No sé
Sólo sé que se me fue
Sei que tudo o que eu queria
Deixei tudo o que eu queria
Porque não me deixei tentar
Vivê-la feliz
É a ilusão de que volte
O que me faça feliz
Faça viver
Por ella no supe que hacer
Y se me fue
Porque la dejé
¿Por que la dejé?
No sé
Sólo sé que se me fue
Sei que tudo o que eu queria
Deixei tudo o que eu queria
Porque não me deixei tentar
Vivê-la feliz
Sei que tudo o que eu queria
Deixei tudo o que eu queria
Porque no me dejó
Tratar de hacerla feliz
Porque la dejé
¿Por que la dejé?
No sé
Sólo sé que se me fue
Esta versão também é muito bonita. Prefiro-a, aliás:
Uma vez eu tive uma ilusão
E não soube o que fazer
Não soube o que fazer
Com ela
Não soube o que fazer
E ela se foi
Porque eu a deixei
Por que eu a deixei?
Não sei
Eu só sei que ela se foi
Mi corazón desde entonces
La llora diario
No portão
Por ella
No supe que hacer
Y se me fue
Porque la dejé
¿Por que la dejé?
No sé
Sólo sé que se me fue
Sei que tudo o que eu queria
Deixei tudo o que eu queria
Porque não me deixei tentar
Vivê-la feliz
É a ilusão de que volte
O que me faça feliz
Faça viver
Por ella no supe que hacer
Y se me fue
Porque la dejé
¿Por que la dejé?
No sé
Sólo sé que se me fue
Sei que tudo o que eu queria
Deixei tudo o que eu queria
Porque não me deixei tentar
Vivê-la feliz
Sei que tudo o que eu queria
Deixei tudo o que eu queria
Porque no me dejó
Tratar de hacerla feliz
Porque la dejé
¿Por que la dejé?
No sé
Sólo sé que se me fue
15 de maio de 2014
Maria Clementina
Já nem me lembrava desta.
Gosto. Sobretudo da voz dele.
É alegre, simples, despretensiosa, dá vontade de dançar, abanar o capacete.
Quando eu nascer vou ser do bem
Quando eu quiser vou ser alguém
Vou me libertar largando o chão
Para poder subir ao meu Verão
Então, meu bem, vou ser alguém
Quando eu nascer vais ver, meu bem
Quem me encontrar vai querer sorrir
Quem me descobrir vai querer ficar
Vou fazer feliz o mundo vão
Então, meu bem, vou ser alguém
Meu sopro aquece a água fria
Meu nome para abraçar o dia
Maria Clementina
(só dispensava aquela parte da publicidade à Compal/Sumol/B...ou lá o que é)
Gosto. Sobretudo da voz dele.
É alegre, simples, despretensiosa, dá vontade de dançar, abanar o capacete.
Quando eu nascer vou ser do bem
Quando eu quiser vou ser alguém
Vou me libertar largando o chão
Para poder subir ao meu Verão
Então, meu bem, vou ser alguém
Quando eu nascer vais ver, meu bem
Quem me encontrar vai querer sorrir
Quem me descobrir vai querer ficar
Vou fazer feliz o mundo vão
Então, meu bem, vou ser alguém
Meu sopro aquece a água fria
Meu nome para abraçar o dia
Maria Clementina
(só dispensava aquela parte da publicidade à Compal/Sumol/B...ou lá o que é)
16 de abril de 2014
13 de março de 2014
Algodão
É uma muito agradável mistura entre o timbre de voz, a entoação e aquilo que diz. E a música. Acho que este senhor dava um bom declamador. Gosto muito.
)
Miúda, não sei quando te perdi
Nunca pensei que um dia pudesse acordar, abrir os olhos e ver que já não estavas lá, do meu lado.
Mas eu distraí-me um pouco. E um pouco foi mais do que suficiente para te perder.
Bem que me tinhas avisado
ou antes, pedido docemente
tem atenção comigo por favor
tem atenção comigo meu amor
porque eu não sou dessas
que fingem
que não vêem
e o meu coração já aguentou
o que podia aguentar
Miúda, eu não sei quando te perdi
Não podia mas devia saber
não podia mas devia saber
não se trata assim ninguém, não, não
não podia mas devia saber
como se ama verdadeiramente
nunca me tinham ensinado
só depois de te perder
finalmente aprendi
e aprendi tarde demais para mim, para ti, para nós
eu não fui homem porque não o sabia ser
Miúda, eu não sei quando te perdi
)
Miúda, não sei quando te perdi
Nunca pensei que um dia pudesse acordar, abrir os olhos e ver que já não estavas lá, do meu lado.
Mas eu distraí-me um pouco. E um pouco foi mais do que suficiente para te perder.
Bem que me tinhas avisado
ou antes, pedido docemente
tem atenção comigo por favor
tem atenção comigo meu amor
porque eu não sou dessas
que fingem
que não vêem
e o meu coração já aguentou
o que podia aguentar
Miúda, eu não sei quando te perdi
Não podia mas devia saber
não podia mas devia saber
não se trata assim ninguém, não, não
não podia mas devia saber
como se ama verdadeiramente
nunca me tinham ensinado
só depois de te perder
finalmente aprendi
e aprendi tarde demais para mim, para ti, para nós
eu não fui homem porque não o sabia ser
Miúda, eu não sei quando te perdi
26 de fevereiro de 2014
20 de fevereiro de 2014
É excepcional, é normal, é excepcional!
jantar com gente em roda, trabalhar até o final, muita mama e pouca moda
é excepcional
mas papar a ver a bola, reformar por bater mal, mais ampôlas para a cachola
é normal.
mandar no subalterno, carregar no ilegal, é como ter frio no inverno
é natural
dez mil anos de patrões, a comerem-te os colhões, que estrutura social
é normal
leva o resto eu já estou cheio, é normal
domingo é dia de passeio, é normal
o teu inferno o meu recreio, maralhal
só quem pode é que não veio, é normal.
cai um velho capitão, numa guerra de salão, e já nada fica igual
só o normal
estás na boca do canhão, logo atrás do teu irmão, mas deu no telejornal
que a situação é normal
leva o resto eu já estou cheio, é normal
domingo é dia de passeio, é normal
o teu inferno o meu recreio, maralhal
só quem pode é que não veio, é normal.
jantar com gente em roda, trabalhar até o final, muita mama e boa foda
é excepcional
mas papar a ver a bola, reformar por bater mal, mais ampolas para a cachola
é normal
19 de fevereiro de 2014
Cantiga do Monte
Cantiga do Monte, como eu gosto disto...
Fragância morena
Portal de marfim
Ondina açucena
Chamando por mim
Cantiga do monte
Clareira do ar
Dançando na nuvem
Mudando em mar
Na flor da montanha
Na espuma a cair
Nos frutos de Agosto
Na boca a sorrir
Na crista da vaga
Tormento alonguei
No vento e na fraga
Só luto encontrei
Abriram-se as velas
Mal rompe a manhã
Na luz e nas trevas
Foi-se a louçã
Ai húmida prata
Meu sonho sem ver
Ai noite de Lua
Meu lume de arder
Ó finas areias
Ó clara manhã
Ó rubras papoilas
Da cor da romã
Ó rosto da terra
E abismos do mar
Ouvide o seu canto
De longe a arfar
Abriram-se as velas
Mal rompe a manhã
Na luz e nas trevas
Lá vai a louçã
Da morte zombando
Na aurora lunar
Num jardim suspenso
Do seu folgar
13 de fevereiro de 2014
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